Houve uma ideia que esteve presente desde o início.
Quando comecei a pensar neste projeto, percebi que o mais importante para mim não era criar uma escola de ténis no sentido mais formal da palavra. Não era montar uma estrutura fechada onde o objetivo principal fosse pôr as crianças a fazer só ténis, semana após semana, como se esse tivesse de ser o centro de tudo.
O que eu quero é outra coisa.
Quero que o ténis possa ser um dos desportos da vida de uma criança. E, acima de tudo, quero que seja um desporto ao qual ela fique ligada de forma boa, leve e duradoura.
Se daqui a 10 anos uma criança pensar “adoro jogar ténis”, então para mim já aconteceu algo muito valioso.
O que me fez pensar assim
Ao olhar para o tipo de projeto que queria construir, fui percebendo melhor aquilo que me fazia sentido.
Procurei exemplos de projetos que conseguiram criar essa relação positiva e forte com o ténis. E aquilo que mais me marcou foi isto: muitos deles não cresceram à volta de uma lógica rígida de escola formal. Cresceram à volta de acessibilidade, experiências, eventos, encontros, momentos de jogo e ligação entre pessoas.
Foi isso que vi, por exemplo, em projetos que me inspiraram muito.
Especialmente no caso do Boom Tennis, chamou-me a atenção a forma como tudo parece nascer de uma ideia simples: tornar o ténis mais próximo, mais acessível, mais natural na vida das crianças e das famílias. Não como uma obrigação. Não como um caminho apertado. Mas como algo que entra na vida delas de forma positiva.
E houve uma coisa de que gostei ainda mais.
Mesmo sem forçar, sem transformar tudo numa corrida, desse tipo de ambiente surgiram também excelentes jogadores a nível nacional. Isso diz-me muito. Diz-me que quando a base é boa, quando a experiência é boa, quando a relação com o jogo é boa, muita coisa interessante pode crescer daí.
A conversa que me confirmou isto
Falei com o fundador, Dave Earl, e essa conversa marcou-me.
Porque aquilo que ele me explicou estava muito perto daquilo que eu próprio sinto: tudo começou com uma vontade genuína de que as crianças se divertissem e tivessem no ténis um desporto que pudessem jogar sempre.
Foi importante ouvir isso.
Às vezes, quando uma ideia ainda está no início, sentimos que estamos só a tentar dar forma a qualquer coisa que ainda não existe bem. Mas quando encontramos alguém que começou num lugar parecido, percebemos que afinal essa intuição tem força.
Nem tudo tem de começar pela estrutura. Às vezes tem de começar pela experiência que queremos que uma criança leve consigo.
O que isto significa no fundo
Para mim, isto ajuda a esclarecer o que é o Planeta Ténis.
Não quero que o projeto viva fechado sobre si próprio. Quero que viva em ligação com a comunidade, com escolas, com famílias, com eventos, com outros projetos e até com outras modalidades. Quero que o ténis apareça como uma porta aberta, não como um corredor estreito.
Porque eu não sinto que o sucesso esteja em fazer uma criança escolher o ténis acima de tudo o resto.
Sinto que o sucesso está em fazer com que o ténis fique guardado dentro dela como uma coisa boa. Como um lugar onde se sentiu bem. Onde jogou, aprendeu, se divertiu e quis voltar.
E isso, para mim, vale mesmo muito.
No fim, é isto
O Planeta Ténis não nasce como uma escola porque a minha pergunta nunca foi apenas “como ensinar ténis?”.
A minha pergunta foi outra:
como fazer com que uma criança ganhe uma relação bonita com o ténis e queira levá-la para a vida?
Se isso acontecer, então o projeto está no caminho certo.